Um velho Filme...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quando você tem a oportunidade de refletir...

As pequenas coisas são tão importantes;

E os mínimos detalhes merecem tanto valor.

As pessoas, algumas; tornam-se únicas.


As lembranças grandiosas,

Marcantes e profundas, sem relativismo...

Aquele passado remoto e recente.

Aquele velho filme, recheado de momentos...


Você percebe que não tem controle sobre nada...

Sua vida é um mero átomo,

Num Universo de partículas e infindo...

Controlado por uma força muito superior...


Humildade, arrependimento e reconhecimento...

Pedidos, promessas e palavras,

Mudanças, desculpas e continuísmo.

Aquele velho filme, recheado de momentos...


Quando a paz e a tranqüilidade habitam,

Sua vida de volta as “suas mãos...”,

Poder de decisão, e agora, cumpro?

Aquele velho filme, recheado de momentos...


Carta do Zé agricultor para Luis da cidade

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta do Zé agricultor para Luis da cidade
Autor: Luciano Pizzatto (*)

Luis,

Quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.

Lembra? Se não, sou o Zé com sono... hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né Luis?!

Pois é. Tô pensando em mudá aí com você.
Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e teus amigos aí na cidade. Tô vendo todo mundo falá que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estudá) fica só a meia hora aí da Capital, e depois dos 4 km a pé, só 10 minuto da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falô que tenho que fazê uma outorga e pagá uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falô deve ser verdade.

Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai foi, né ...) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falô que se o Juca fosse ordenhá as 5:30 tinha que recebê mais, e não podia trabalhá sábado e domingo (mas as vaca não param de fazê leite no fim de semana). Também visitô a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodí (não entendi ?). A comida que nóis fazia junto tinha que faze parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protege ele, não sei se tava junto.

Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?

Mas agora, eu e a Maria (lembra dela, casei ) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dô pros porco.

Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhorô. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia do Rio não podia ser 20 metro e tinha que derruba tudo e fazer a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protegê o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, e sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multô, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato.

O Luis, ai quando vocês sujam o Rio também paga multa né?

Agora, a água do poço posso pagá, mas tô preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabô .... Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo aí da tua terra.

Mas vocês não fazem isto né Luis. Pois aqui a multa é grande, e dá prisão. Cortá árvore então, vige!! Tinha uma árvore grande que murcho e ia morre, então pedi pra eu tiráa, aproveitá a madeira pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu aí do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 mês, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja Luis, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prende.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova Lei vai dá multa de R$ 500,00 a R$ 20.000,00 por hectare e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por R$ 500,00 e vi que perco o sítio em uma semana. Então é melhor vendê, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa aí. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nóis.

E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra compra aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sítio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e aí na cidade, diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.

Até Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.

* É engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.

Um reclamar, justo?

domingo, 16 de maio de 2010

As injustiças sociais me revoltam!

Revoltam-me tanto a ponto de duvidar

De que adianta reclamar.

Quem te ouve, quem te ver?

Porra, tantas coisas para serem mudadas.

E tão poucos dispostos a fazê-las.

O que é que eu faço então?

O que você faz me diga!

Nada; será essa a resposta...

Espero que não seja a minha e nem a sua.

Quem deveria fazer?

Os ordinários do poder?

Os hipócritas do nosso dia-a-dia?

Ninguém pode fazer nada...

Enquanto somente houver revolta.

Chega de revolta.

Cadê a ação, o sentimento?

Que injustiças cometo eu.

E você quantas, quantas?

E você Justiça, luta contra seu antônimo?

Combate o mal do século?

Ah, não obtive a resposta.

Eu devo responder a mim, e você a você!

Enquanto não fizermos isso!

Só haverá palavras...

Down In A Hole

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Me enterre suavemente neste útero
Eu dei esta parte de mim pra você
Chuvas de areia caem e aqui eu sento
Segurando flores raras
Num túmulo... em florescência

Dentro de um buraco e eu não sei se eu posso ser salvo
Veja meu coração, eu o decorei como um túmulo
Você não entende que eles
Achavam que era necessário eu existir
Olhe para mim agora, um homem
Que não se deixará ser

Dentro de um buraco, me sentindo tão pequeno
Dentro de um buraco, perdendo minha alma
Eu gostaria de voar
Mas minhas asas tem sido tão negadas

Dentro de um buraco e eles puseram todas
As pedras no lugar deles
Eu comi o sol, por isso minha língua
Foi queimada do paladar
Eu fui o culpado
De se chutar nos dentes
Não falarei mais
De meus sentimentos mais profundos

Dentro de um buraco, me sentindo tão pequeno
Dentro de um buraco, perdendo minha alma
Eu gostaria de voar
Mas minhas asas tem sido tão negadas

Me enterre suavemente neste útero
(Oh eu quero estar dentro de você)
Eu dei esta parte de mim pra você
(Oh eu quero estar dentro de você)
Chuvas de areia caem e aqui eu sento
Segurando flores raras (Oh eu quero estar dentro de você)
Num túmulo... em florescência
(Oh eu quero estar dentro...)

Dentro de um buraco, me sentindo tão pequeno
Dentro de um buraco, perdendo minha alma
Dentro de um buraco, me sentindo tão pequeno
Dentro de um buraco, fora de controle
Eu gostaria de voar mas
Mas minhas asas tem sido tão negadas


Composição: Layne Staley/Jerry Cantrell


Escolhas

terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma escolha;
Tarde pra ser o recomeço,
Cedo para ser o final;
Desapontamento.
Retrospectiva e dúvidas.
Análise minuciosa.
Olhar alheio.
Um passeio no passado.
Arrependimento momentâneo;
Espontaneidade ao esquecer.
Escolher, escolher...
Dizer as palavras certas;
Errar não aprendendo.
Sempre soar como autêntico...
Embora a complexidade.
A situação exige,
Sigo à esquerda!

A Melhor

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tão grande, tão extenso...

Imensa a diferença;

Como conseguir contemplar;

E não perceber a supremacia?

Em uma pequena tentativa.

Uma fuga temporária;

Um riso indiscreto...

E uma dúvida a atormentar.

Como poderia defini-la?

Porque preocupa sua existência?

E sabendo eu, perturbado...

Ali adiante, a resposta.

Calma ausente;

Descobrindo a cena...

Em plena incredulidade;

A Melhor.

Não Me Siga.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Em vão outrora;

Sem demora, ali.

Estando só.

Seguindo só.

Paz e calma.

Deixe-me assim.

Abandone a idéia.

Tropeço à vista?

Não estou perdido.

Eu enxergo o destino.

Portanto, não me siga.

Mas não me abandone.


Decepções e Anseios.

quarta-feira, 28 de abril de 2010
Um breve devaneio,
Um passo mais rápido;
Um tropeço no impeto,
Evitando uma derrocada.
Em uma pequena pausa...
Um segundo de razão,
A solução mais breve;
Em uma resposta omissa.
Sugiro um alento,
Enganando o evento;
Justifica-se o erro,
Com um andar retardado.
E olhando bem adiante,
Ânsia de realidade;
A espera por um sinal,
Para acordar do pesadelo.

Sociedade

segunda-feira, 26 de abril de 2010

É um mistério para mim
Nós temos uma ambição que concordamos.
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa.
Até você ter tudo, você não estará livre.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.

Quando você quer mais do que tem
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior
Pois quando você tem mais do que imagina,
Você precisa de mais espaço.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.

Tem aqueles achando, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você mantém um placar?
Quer dizer que pra cada ponto que faz, seu nível cai
É como começar do topo
Você não pode fazer isso.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.

Sociedade, tenha piedade de mim
Espero que não fique brava se eu discordar
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim

Composição: Eddie Vedder

Reflexo

Parado por um segundo, seguindo as próprias convicções. E quando desapercebido, atento para o lado, uma visão estranha, uma indagação inconsciente, no momento seguinte...Reflexo do que eu era, uma breve história passada numa fração de tempo. Esse era o que eu seria amanhã ou a minha visão refletida na alma?



Alguma Coisa...


Dias de tédio, a beira do abismo...
É o jeito escrever algo!
Alguma coisa, ou coisa alguma.
Depende do leitor: Você!
Alguma coisa que me lembre você.
Que me faça recordar os tristes momentos.
Os bons não precisam ser lembrados
Que me faça acordar do pesadelo.
Do pesar, de não estar ao seu lado.
Ou apesar de não estar do seu lado.
Mesmo sem sentir sua alma, amada.
Conforta-me saber que você existe.
Que existiu ou ainda existirá...
O verbo é covarde, não conjuga,
Sempre no tempo presente.
Sempre prefere o ausente.
E por mais que eu tente.
Não esquecerei no futuro,
Das coisas que me trazem ao passado,
Relembrado e apagado?
Quem me dera se possível!
Só me resta a tristeza de tentar
Mas não conseguir dizer o que sinto
Alguma coisa me falta!!

Uma gota despertadora...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Desperta a comoção pública;
Desperta a atenção do mundo;
Acorda os falsários do poder...
Esses mesmos, os do "Ficha Limpa"
Aqueles que poderiam impedir esse despertar;
Os que prometem, e só fazem isso...
Todos tem uma iniciativa,
Embora seja apenas a de ficar triste;
Por um momento, um olhar atento,
E um pesar sem fronteiras,
A solidariedade; ela tão esquecida...
Desperta do nada e motiva milhares,
Heróis do cotidiano, é eles existem...
Esses não precisam ser despertados,
A dor da perda e a alegria do salvamento,
Tudo isso, culpa de uma gota só?
Eu desperto? De que adianta?
Anoitece, cessa a chuva e uma gota;
Todos pegam os seus travesseiros!

E se foi...

domingo, 4 de abril de 2010

Nenhuma lembrança....
A tragédia sobre a mesa...
E logo ela retorna ao dono!
E agora onde anda o seu orgulho?

Pode-se dizer o quê?
Ele vai fazer falta, mas faltou algo.
O que parecia perfeito está manchado.
O rubro absorve o pano branco.

Se foi, é ele se foi.
Ele disse que ia, mas quem acreditou?
Quem ainda duvida?
Ele se foi mesmo, e se foi...

Prantos; olha a cara dela...
Coitada, se tortura, mas ele...
Já foi tarde demais...
Tarde demais, ele se foi.

A pólvora paira no ar sombrio...
Saudades daquela menina...
Mas pena, ele se foi e já era tarde demais.
Agora não adianta, deita o rosto sobre o ombro.
Ele se foi, e choram os hipócritas.

Cinismo

terça-feira, 30 de março de 2010

No final da conversa.

E com um olhar desconfiado,

Ressabiado ele pergunta:

- Quanto tempo de vida Doutor?

O médico diz:

- Amanhã talvez te responda!


Paradoxal...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ambigüidade ao extremo,

Sereno, calmo e pacífico...

Num repente momento;

Isento de culpa ou dolo.

Ao som da escuridão;

Despertado pelo ódio,

Afastado da razão;

Sentimentos abrasivos.

Efervescem e aniquilam.

Luta intensa e interna.

Terminada sem vitória;

Quem perdeu ganhou;

E quem ganhou perdeu,

Mas como pode?

São duas as respostas;

Resumidas em apenas uma palavra.

Limiar

domingo, 28 de março de 2010

O limiar das decisões;
Ou o que define as conclusões
Nem sempre é a verdade...
Pode ser uma mentira disfarçada;

Um alento momentâneo,
Um afago irônico,
Até mesmo uma dor insinuada;
Quem pode julgar?

Constantemente envolvidos...
Estamos sempre no limiar;
Se seguir posso cair, se voltar;
Talvez viva, e se viver devo escolher.

Penumbra

sexta-feira, 26 de março de 2010

Enquanto vocês dormem...
Meus pensamentos se distanciam.
Minha mente adormece o sono
E em um simples piscar de olhos,
Enxergo o que me aguarda;
Bem atrás daquela luz que reluz,
Apesar do sombrio escuro...
Sigo adiante e contemplo,
Com muita sobriedade;
E um sorriso sarcástico...
Agora fecho o olho novamente,
E o que vejo? Nada...
Apaguei tudo da memória,
Deletei as lembranças...
E guardei o 'backup' num lugar distante...
De onde você não possa alcançar...
Agora, acorde pela manhã;
E tente lembrar de hoje.

Não Leia...

Porquê você veio ler?
Mas já que veio, sinta-se a vontade.
Pra saber, que a existência do miserável
E vil mortal ser humano,
Está condicionada a viver em um mundo triste.
Onde prevalece a intolerância.
Não existe respeito pelas diferenças.
Preso a padrões indignos.
Sem uma janela aberta.
Aterrorizado pelo pavor da vida,
Pelo ódio de estar vivo,
E a vida não ser o que sonhamos.
Estamos distantes da realidade.
Olhando apenas para nosso horizonte.
Vendo o 'destino' passar, sem olhar para o lado.
Sem ter esperança no futuro.
E com um presente desgraçado.
Bom, mas não leia isso.
Pense em um mundo de sonhos,
Onde a fantasia seja a chave que abrirá
As portas da nossa mente.
E o sorriso de uma criança.
Nos trará de volta a felicidade perdida.

Seja mais um ufanista!

Metal Heart

Metal Heart

Perdendo a estrela sem um céu

Perdendo as razões do porque
Você está perdendo a chamada que esteve fingindo
E não estou brincando

Está condenado se você não fizer e condenado se você fizer
Seja verdadeiro, porque eles te trancarão num zoológico bem triste
Oh esconda esconda o que está tentando provar
Por esconder esconder esconder você não vale nada

Costure sua fortuna numa corda
E a segure na luz
Fumaça azul vai fazer
Um vôo bem violento
E você será mudado
Tudo areia
E você estará num zoológico muito triste.

Uma vez estive perdida mas agora sei que estive cega
Mas agora te vejo
Que egoísmo seu acreditar no significado de todos os pesadelos

Coração de metal você não está escondendo
Coração de metal você não vale nada

Coração de metal você não está escondendo
Coração de metal você não vale nada


Composição Cat Power (Chan Marshall)

Bastante

quinta-feira, 25 de março de 2010
Não se pode tudo.
O que pode ser o bastante
Nem sempre o suficiente.
Querer além de ter.
Almejar o troféu da vida,
Chegar ao topo, hastear a bandeira,
Descer de pé.
Eu não quero nada disso.
Quero viver, e morrer feliz.
Bens materiais, eu renego.
Sucesso fica pro passado.
Quero a vidinha bucólica.
Acordar e poder dar um bom dia.
Sonhar com o presente.
Contar os dias a partir de hoje.
Quero um bem mais precioso.
Preciso de um momento.
Dispenso os meus tormentos.
Rio das façanhas da vida.
Espero algo mais do que lamentar.
Por não ter o bastante.
Pois o bastante amanhã acaba.
E a hipocrisia continua.
Já me basta pensar.

Além

O pobre conhecimento humano,
Tão falido e insensato...
Rumo a um caminho sem volta,
Perdido nos devaneios da vida.
Sem sal, sem tempero.
Alucinógenos cerebrais,
Busca incessante pelo abstrato.
Cansado de desencontros...
Esbarra nos limites do muro,
O muro da ignorância.
O pobre ser mortal, não tem consciência
De que a sua alma é desconhecida.
Seu futuro é incerto.
E que além dessas vãs filosofias,
Que regem o tempo e espaço em que vivemos,
Existe um ser capaz de transformar essa pobreza de espírito,
Em uma infinita fonte de sabedoria e paz.
Agora cabe a você busca-lo.
Não, ele não está além do seu pobre conhecimento.
Encontre-o.

Mazelas...


Essas más, elas as mazelas,
Corroem a sociedade,
Contaminam o noticiário,
Instigam o descrédito,
Nos faz seres capazes de piorar
Cada vez mais, elas...
Que estão expostas,
Feitas feridas incuráveis,
Hemorragias visuais,
Quanto mais combatidas,
Mas elas se tornam evidentes,
Mas se não fosse por elas,
Aquelas malditas mazelas,
O que eu maldizeria?

Madrugada!!!

A Rainha da insônia!
Mãe dos etílicos!!
A triste notícia vem por ti.
As angústias te esperam.
A tua hora não passa.
Tua luz não brilha.
Um passo da desgraça.
Saudades da última.
Lembranças da próxima.
Quando te vais?
Ah, madrugada maldita.
A vida seria bem pior sem ti.
Embora odeies a vida;
Quem não madrugou, ainda não viveu.
Inspiração do plebeu.
Amante do Narciso.
É madrugada, Adeus.
Começa um novo dia,
Mas que já espera por ti.

Caminho...

Nada provém do acaso;
Ou caso soubéssemos
O que estaria por diante
Seguiríamos no mesmo caminho?
Caminho antagônico,
A direção contrária da vontade,
Ridicularizando o lógico;
Opondo-se ao bom senso
Libertos da venda
Escarrando na “lata” do coerente,
Não sendo igual aos diferentes.
Nenhum dia constante...
Para trás os figurantes,
Protagonizo minha vida
Meu túnel não tem luz,
Eu sigo a minha estrada sem rumo,
Perdido no meu horizonte
Embriagado de saudades...
E sem olhar para o que deixei;
Meus velhos dias passarão,
Mas a minha alma suja continuará por aqui.

Ouro de Tolo


Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Composição: Raul Seixas